sexta-feira, 15 de maio de 2009

Reflexões chimpanzísticas I

O nome deste blog é “… quero ser bonobo…” pelo fato óbvio de que não o somos, mas desejamos ser. Portanto, este que vos escreve reconhece suas características chimpanzísticas, que persistem por mais que se esforce na bonobação.

Além disso, sabemos que a evolução bonoba não virá de uma hora para outra, mas será um processo gradual (por isso “evolução”, e não “revolução”). Então este blog se proporá também pequenas modificações na sociedade atual, no modelo chimpanzístico, para que ela funcione de maneira mais eficiente e simples enquanto se prepara para se tornar bonôbica.

A primeira grande proposta para a sociedade chimpanzística é:

Bolsa-Inutilidade

Todo mundo em algum momento já tentou trabalhar, produzir, realizar alguma coisa, e foi grandemente atrapalhado por uma ou mais pessoas. Muitas vezes, lógico, isso ocorre por motivo de inveja, competição, ou outros desses sentimentos chimpanzísticos. Entretanto, se analisarmos todos os casos veremos que, na maior parte das vezes, uma pessoa atrapalha o trabalho da outra por pura incompetência. Ela até deseja fazer algo, mas é incapaz.

E normalmente essas pessoas são incapazes de fazer qualquer coisa. É aquela figura que é transferida de departamento a cada seis meses até que acaba no setor de RH ou no departamento de marketing, onde pode ficar confortavelmente alocada em alguma das dezenas de funções inúteis típicas desses setores até a sua aposentadoria. Em empresas públicas a coisa é mais grave, porque via de regra o setor de RH já está suficientemente inchado pelo excesso dessas pessoas que, afinal de contas, não podem ser demitidas, então elas acabam sendo distribuídas entre todos os outros departamentos (o de marketing, na empresa pública, não existe. Quando existe é um departamento de comunicação interna que chamam de marketing por pura falta de conhecimento, uma vez que empresas públicas não trabalham com mercado além de, naturalmente, porque no seu mundo de fantasia eles acham que produzem alguma coisa).

A sociedade chimpanzística, por puro condicionamento, obriga todos a trabalharem, ou a morrerem de fome. Então, mesmo que essa criatura inútil que atrapalha a todos for demitida, ela acabará procurando outro emprego, e outro, e outro, onde ela continuará a atrapalhar e a ocupar vagas que poderiam estar sendo melhor aproveitadas. A solução é uma só: A Bolsa-Inutilidade.

A bolsa-inutilidade deve ser dada pelo governo a todos aqueles que só sabem atrapalhar. Deve ser boa, e garantir no mínimo uma vida confortável ao bolsista, com uma única condição: Ele não deve sequer tentar trabalhar, sequer tentar fazer alguma coisa, produzir alguma coisa, ajudar alguém e, se possível, deve evitar pensar também. Para ser beneficiária do bolsa-inutilidade, a pessoa deve permanecer em casa quietinha.

 Aí vem a velha pergunta: De onde tirar o dinheiro para a bolsa-inutilidade, principalmente considerando a imensa quantidade de pessoas que farão jus a esse benefício? Não é preciso ser economista para adivinhar: Sem essas pessoas atrapalhando, a produtividade das empresas irá aumentar tanto, o comércio se tornará tão mais eficiente, que a arrecadação do governo com impostos aumentará o suficiente para cobrir o valor das bolsas-inutilidade com folga. Arrisco a dizer que, se for corretamente implementada, o governo a médio prazo poderá reduzir os impostos e ainda assim terá maior verba para investir em programas sociais, tamanho será o aumento de produtividade sem as figuras inúteis para atrapalhar.

Desta forma, convoco a toda a sociedade para que façamos o projeto e pressionemos o Congresso e a Presidência para que seja aprovado o quanto antes, para o benefício de todos.

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